A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. (Charles Chaplin)

sábado, 19 de setembro de 2009

Por um curto segundo, eu fui capaz de pensar com clareza. Naquele precioso segundo, eu vi dois rostos na minha cabeça, lado a lado.

Um era o meu, ou o que ele foi um dia: o monstro de olhos vermelhos que já havia matado tantas pessoas que já havia parado de contar o número. Assassinatos racionalizados, justificados. Um assassino de assassinos, um assassino de outros monstros, menos poderosos. Era um complexo de ser Deus, eu sabia disso - decidir quem merecia uma sentença de morte. Era um compromisso comigo mesmo. Eu havia me alimentado de sangue humano, mas somente humanos em sua definição mais fraca. As minhas vítimas eram, em seus violentos dias negros, tão humanos quanto eu era.

O outro rosto era o de Carlisle.

Não havia nenhuma semelhança entre os dois rostos.

Eles eram como o dia mais claro e a noite mais escura. Não havia motivo pra que houvesse uma semelhança. Carlisle não era meu pai no sentido biológico básico. Nós não tínhamos feições semelhantes. A similaridade na nossa cor era apenas por causa do que éramos; todos os vampiros tinham a mesma cor pálida como gelo. A similaridade da cor dos nossos olhos era outra coisa - uma reflexão da nossa escolha mútua.

Midnight Sun, capítulo 1 - À primeira vista.

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